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Splinternet: a Internet não será mais como antes

Há exatamente 3 décadas, um cidadão do mundo chamado Sir Tim Berners-Lee compartilhou o que era a sua visão para o futuro do ser humano, ele intitulou como “Gerenciamento de informações: uma proposta“, em inglês “Information Management: A Proposal”. Isso foi o conceito que nos levaria à conhecida World Wide Web (www ou Internet) e transformaria as nossas vidas de forma ampla e sem precedentes.


Esse grande projeto foi criado para ser o maior nivelador já existente que capacitaria todos as pessoas e máquinas para a acessar e compartilhar informações. Foi a maior oportunidade que os humanos tiveram de permitir que todo o planeta Terra colaborasse perfeitamente e derrubasse as fronteiras geográficas e culturais, a Internet nos ajudou a re-imaginar a arte de uma maneira antes que não era possível.


Infelizmente, parece que o longo dos anos, com a evolução da web, hoje já temos o 5G que deve revolucionar a indústria, o comércio e tudo mais que girar em torna dele, é visível que perdemos nosso caminho e esquecemos em grande parte a visão original de uma web mundial e a livre troca de informações e dados.

Splinternet: a Internet não será mais como antes

Hoje, os grandes portais e sites na Internet que antes ofereciam notícias e conteúdo gratuito, agora querem no dar acesso as mesmas informações em troca de nossos dados pessoais.

Para ter acesso, muitos dos usuários na web trocam sua privacidade por pura conveniência. Para piorar, um número crescente de países se apega desesperadamente à sua soberania digital e até limita o acesso a sites e serviços estrangeiros além de seu firewall nacional, como é o caso do país acusado de criar o COVID-19.

Os bots e robôs prendem os internautas em ciclos com loops infinitos alimentando nossos preconceitos inconscientes e inerentes com desinformação (fakes e notícias falsas) para nos manter em uma constante descida para a própria desgraça do ser.

A política mais que polarizada está criando uma sociedade totalmente dividida que inevitavelmente se desfragmentou e se dividiu também com o uso da Internet.


Como se não bastasse as fronteira físicas onde temos que apresentar passaporte com visto e autorização para entrar, agora temos também as fronteiras geográficas virtuais que a tecnologia outrora tinha derrubou, estão sendo construídas dia a dia, alimentando e criando uma Internet fragmentada e dividida que limita muito o acesso à informação real e continua.

Bem-vindo ao Splinternet


Qual a política da “Splinternet”?

Temos evoluído sim, mas sem dúvidas para um retrocesso. Vemos nitidamente que a ascensão do autoritarismo digital no momento está se estendendo muito além do Grande Firewall da China e dos rígidos protocolos de censura utilizado pela Rússia.

A pouco tempo, em cadeia nacional, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, disse que queria uma internet limpa e a Índia revelou que esta construindo sua própria Internet. Oh! Meu Deus, parece que inevitavelmente estamos no caminho certo para acabar e dividir a internet como a conhecemos hoje.

O último caso mais importante que tivemos foi o choque entre tecnologia e governos. Nos noticiários tivemos o destaque quando as gigantes da tecnologia Facebook e Google ficaram cara a cara com o governo da Australia.

Não é um assunto novo, mas, as tensões cresceram devido ao fato de como os editores são pagos por artigos e conteúdo de notícias, o Google até ameaçou remover todos os seus serviços gratuitos do país. Há, fica aqui um lembrete mais que oportuno, quando o serviços na Internet é gratuito, se você não está pagando, você é o produto.

Na Europa, muitos sites de notícias dos EUA já estão bloqueados por editores que preferem sair da região a redesenhar seus sites para atender aos requisitos e obrigações impostos pelo GDPR.

O GDPR apesar de ser criado com as melhores intenções, acabou afetando negativamente a experiência do usuário ao navegar na Internet.

Ao navegar na Internet, temos a ligeira impressão que cada visita aos blogs e sites incluem a necessidade de fechar barras e pop-ups com aviso de aceitar ou negar cookies. Será que podemos pensar que talvez a Internet gratuita, livre de fronteiras e aberta tenha sido uma grande ilusão, um devaneio que foi embora com o tempo, e o Splinternet já existe há mais tempo do que muitos imaginam.

Splinternet – uma cortina de ferro digital que separa o Oriente do Ocidente.

Por que o Splinternet é ruim para os negócios?

A chamada Splinternet cria uma divisão digital onde as fronteiras nacionais ou regionais determinam os limites da informação gratuita. Mas onde isso deixa as empresas e os negócios digitais? O local onde armazenam dados internacionais e como os movimentam torna-se rapidamente complexo quando cada país segue um conjunto diferente de regras.

Muitos anos se passaram desde que Mark Cuban declarou que os dados eram o novo petróleo. Agora, mais do que nunca, é a tomada de decisões baseada em dados que pode ajudar a influenciar as decisões de compra e aumentar os lucros.


Com um número crescente de organizações baseadas apenas na Internet tornando-se altamente dependentes de dados, muitas terão que repensar seu modelo de negócios se perderem o acesso aos dados do cliente em certas regiões.

Regulamentações complexas e novas políticas rigorosas também farão muitos líderes questionarem o incômodo de operar em alguns países. Os consumidores também perderão.

Deve haver uma alternativa para se retirar completamente de uma região inteira ou lidar com multas pesadas. Mas fazer com que todas as nações concordem em uma estrutura global comum não vai acontecer tão cedo.

Por que o Splinternet é ruim para os negócios?

Quem controla as informações controla o mundo

As empresas de tecnologia têm se movido muito mais rápido do que os regimes regulatórios criados para mantê-las sob controle.

Estamos em 2021, e um punhado de empresas como Google, Facebook e Amazon controlam amplamente o fluxo de informações. O fato de Mark Zuckerberg ter acesso às informações que os usuários compartilham, recebem e se comunicam por meio de serviços de mensagens no Instagram, WhatsApp e Facebook Messenger deve disparar algumas flags e alarmes.

À medida que as tensões globais aumentam, é fácil ver por que muitos países não querem desistir de dados que consistem em conversas e histórico de navegação para empresas de tecnologia em outros países que também os venderão pelo lance mais alto.

Nos Estados Unidos, seis empresas controlam 90% das informações transmitidas pelos meios de comunicação, destacando ainda mais a ilusão de escolha onde quer que você more no mundo.

À medida que as linhas borradas entre on e off-line começam a desaparecer, muitas nações percebem que sua soberania no mundo físico não existe no espaço digital.

Apenas um punhado de empresas de tecnologia está controlado como seus usuários compram, socializam e até mesmo que conteúdo que eles devem ver e quando pegam seus smartphones.

Até agora, a tecnologia tem se movido mais rápido que os reguladores e legisladores se tornando mais poderosa que os próprios governos.

Por causa da liberdade criada anteriormente pela Internet, e perdida nos dias atuais, os líderes mundiais agora estão lutando para recuperar o controle de seus países e escolher como devem governar seu próprio povo e negócios locais.

A mudança para o Splinternet é apenas um dos muitos exemplos da batalha global para controlar o fluxo de informações e controle do mundo globalizado.

A visão principal de uma rede mundial

A visão principal de uma rede mundial de computadores (www) era remover a desigualdade e capacitar os cidadãos. Mas está começando a parecer que tudo não passava de uma grande ilusão.

Quando nós desligamos nossos dispositivos, a Internet fragmentada e dividida que vemos diante de nós é indiscutivelmente um reflexo sombrio de nossa sociedade.

Não se trata mais de como chegamos até aqui, mas de como podemos entender quais os impactos que a tecnologia causa em nossas vidas, nossos negócios e relacionamentos e reavaliar o que a Internet se tornou e por quem ela é governada em todo o mundo.

Não desacredito que o sonho de construir um mundo melhor e mais justo acabou, ele ainda está bem vivo, mas como chegaremos lá é outra história para ser contada, espero que consigamos e que você possa lê-la algum dia.